Zé Eduardo Nazário

Stein 03 E1410372185159

Nascido em São Pulo em 25 de setembro de 1952, a música desde muito cedo ocupou espaço na rotina de Zé Eduardo Nazario, tendo sido o piano seu primeiro instrumento. Por volta de 1962, por intermédio do primo Luiz Manini, ouviu bossa nova e jazz, e teve as primeiras noções de bateria e percussão. Aos 12 anos de idade ganhou de seus pais a primeira bateria, e com poucos meses de estudo, montou o trio Xangô 3, que se apresentava em programas de TV e shows em conservatórios, faculdades e teatros.

Na mesma época (1966), tendo ganho a amizade de Edison Machado, passou a viajar regularmente para o Rio de Janeiro, onde conheceu e tocou com grandes instrumentistas. No fim dos anos 60 atuou no grupo do pianista Tenório Jr. na boate Totem em São Paulo, celeiro de grandes instrumentistas, onde conheceu o percussionista Guilherme Franco, formando com ele o Grupo Experimental de Percussão de São Paulo. Ainda em 1970 grava com Gato Barbieri a trilha sonora do filme Minha Namorada, de Zelito Viana, que recebeu um prêmio do Museu da Imagem e do Som da Guanabara. Em 1972 participou do grupo Mandala ao lado de Roberto Sion, Nelson Ayres e Luiz Roberto de Oliveira, que haviam voltado da Berklee, nos Estados Unidos. No ano seguinte, Zé recebeu um convite para trabalhar em Minneapolis (USA), mas desistiu da viagem para ingressar no grupo de Hermeto Pascoal. Nessa banda ele criou o que é conhecido como “barraca de percussão”, que consistia numa barraca semelhante às usadas em feiras livres, onde os instrumentos de percussão eram colocados de forma a serem tocados como um só instrumento. Durante essa fase com Hermeto, Zé forma o grupo Malika em 1974 com seu irmão, o pianista Lelo Nazario, e o saxofonista Hector Costita. Participa com Hermeto do Festival Abertura da TV Globo em 1975 com a música “Porco na Festa”, cuja introdução foi escrita especialmente para sua performance na barraca e orquestra. Com essa interpretação, Hermeto ganhou o prêmio de Melhor Arranjo. Nesse período, também participou do lendário e censurado disco de Taiguara, “Ymira Tayra Ypi Taiguara”, que reuniu um time extraordinário de músicos.

Após o Festival, Lelo Nazario e o baixista Zeca Assumpção passaram também a fazer parte do grupo de Hermeto, formando o que ficou conhecido como a “cozinha paulista”, base do grupo que permaneceu até o início de 1977, quando nascia um novo trabalho, fruto da união desses três músicos, apresentando um repertório original de composição e criação, explorando timbres sonoros variados, música eletroacústica, ritmos brasileiros e outros de tratamento livre, aliados a uma estrutura musical contemporânea. A estréia desse novo grupo aconteceu no Parque do Morumbi (SP) em março de 1977, e foi chamado “Concerto para Ian”, em homenagem ao filho de Zé. Nascia também o Grupo Um. Nesse mesmo ano Egberto Gismonti programou sua primeira grande turnê no Brasil. Ao saber que Zé havia se desligado do grupo do Hermeto, convidou-o a integrar o Academia de Danças, do qual participariam também Marlui Miranda, Mauro Senise e Zeca Assumpção. No meio da turnê gravam o disco “Olho d’Água”, de Marlui. Depois veio a gravação de “Nó Caipira” de Gismonti , o Festival de Jazz de São Paulo em 1978, e em maio de 1979 a turnê com John McLaughlin, chamada Tropical Jazz Rock, que terminou em Buenos Aires (Argentina). Em setembro o Grupo Um lança “Marcha sobre a Cidade”, que marcou não só um novo ponto de partida em sua carreira mas abriu portas para um intenso movimento de música instrumental no Brasil (foi a primeira produção independente de música instrumental no país). O Grupo Um lançaria ainda “Reflexões Sobre a Crise do Desejo” (1981) e “A Flor de Plástico Incinerada” (1982). Nesse mesmo ano, Zé Eduardo Nazario lançou seu primeiro disco solo, “Poema da Gota Serena”.

Zé havia colhido muita informação da área da bateria e da percussão, desde o início de sua carreira até esse momento, e foi procurado por inúmeras pessoas interessadas em adentrar esse universo. Havia escassez de informação didática. Na falta de material apropriado, desenvolve métodos de ensino, que passou a aplicar nos alunos que o procuravam. De 1980 a 1983 foram realizados vários cursos de percussão e música criativa nos teatros Lira Paulistana e Teatro Brasileiro de Comédia, e a partir do ano seguinte concentrou suas atividades nas aulas particulares. Em 1989 organizou o Duo Nazario com Lelo, participando da XIII Semana Guiomar Novaes em São João da Boa Vista, com a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. O Duo participou ainda de eventos como a X Bienal de Música Brasileira Contemporânea no Rio de Janeiro em 1993.

Em 1991 Rodolfo Stroeter convida Zé Eduardo para substituir Nenê e realizar concertos com o grupo Pau Brasil, ao lado de Lelo, que já participava do grupo, e ainda Paulo Bellinati (substituído por Marlui Miranda em 1992), e Teco Cardoso. Em 1993, ao final de uma turnê pela Europa, o Pau Brasil gravou o CD “Babel”, só lançado três anos depois, recebendo o prêmio Sharp de 1996 como “Melhor Grupo Instrumental”, e tendo sido lançado no mercado norte americano em 1997, foi indicado ao Grammy na categoria “Best Jazz Performance”. Seu último concerto com o Pau Brasil foi na 25a. Conferência Internacional de Jazz em New York em 1998. Outra experiência marcante foi sua participação no Festival de Inverno de Campos do Jordão 1994, na apresentação da peça Histórias do Danúbio de Joe Zawinul, com a Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo. Em 1997 recebeu do Governo Indiano, na ocasião do 50o Aniversário da Independencia da India, uma honraria em forma de placa de bronze, “em reconhecimento ao seu talento e pela contribuição em promover a Música Indiana no Brasil”. Durante muitos anos Zé vinha trabalhando com a cantora indiana Meeta Ravindra, tendo realizado inúmeros eventos para a comunidade indiana em São Paulo.

A partir de 1998, Zé tem enfatizado sua carreira solo paralelamente às atividades como professor. Nesse mesmo ano ele forma um conjunto especialmente para uma apresentação no Zildjian Day Brasil. Esse trio com Lelo e Felipe Avila e então batizado como Percussônica, seguiu carreira e foram lançados dois CDs ao vivo, “Percussônica” e “Hoje”. Em 1999 produziu o CD ZEN, uma compilação de material inédito e melhores momentos de sua carreira. Tem participado de inúmeras gravações, entre elas com o compositor Cid Campos, o guitarrista Felipe Avila, o compositor francês Philippe Kadosch e o guitarrista norte americano John Stein. Em dezembro de 2005 Zé Eduardo Nazario recebeu, da Universidade Federal da Bahia, o reconhecimento do “Notório Saber”, título concedido considerando sua vasta e rica trajetória profissional como músico. Durante os anos de 2006 e 2007, tem realizado inúmeras apresentações com seu quarteto, além de participar do quinteto de jazz da pianista Marta Karassawa e do trio do contrabaixista alemão Frank Herzberg , e também do grupo do vibrafonista André Juarez, com quem gravou o cd “Canja”.

Em novembro de 2007 viajou aos Estados Unidos para gravar o cd “Encounterpoint” com o guitarrista norte americano John Stein. Participou do show de lançamento do cd “Green Street”, do referido músico, no Scullers Jazz Club e atuou com o pianista brasileiro Alfredo Cardim no Ryles Jazz Club, tendo ainda realizado clinicas no Berklee College of Music e na Brimmer and May School.

Devido ao sucesso do cd “Encounterpoint”, que figurou entre os “Top 20” mais tocados nas programações de jazz das rádios norte americanas por vários meses, tendo sido também escolhido como um dos 10 melhores cd’s de jazz do ano de 2008 pelo jornal “Tribuna da Imprensa” do Rio de Janeiro, além de farto material escrito pelos principais criticos de jazz em atividade, Zé Eduardo foi novamente convidado a ir a Boston em junho de 2009, para gravar um novo trabalho com John Stein. Visitou a famosa fábrica de pratos Zildjian, em Norwell, MA., onde foi recebido pela vice-presidente Debbie Zildjian, tendo participado de um documentário e entrevista para a TV Fox Boston, no programa “Zip Trips”, enfocando a história dessa lendária fábrica, uma das mais antigas dos Estados Unidos, ligadas à tradição de “negócios de família”.

Atualmente Zé Eduardo Nazario divide seu tempo entre aulas particulares, workshops, shows, gravações e projetos criativos.

Liverpool 2016.

Desenvolvimento GETCON.