Giba Favery

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“MINHA HISTÓRIA”
Olá, pessoal! Obrigado por acessar o meu site. Aqui contarei um pouquinho da minha trajetória na música até os dias de hoje.
O meu primeiro contato de perto com a bateria se deu aos 9 anos de idade, quando numa festa organizada em minha casa uma turma de médicos liderados pelo meu pai resolveu tentar tocar alguma coisa de brincadeira. O meu interesse pela bateria se deu instantaneamente. Eu não conseguia tirar os olhos dela e, então, despertou em mim uma imensa vontade de tocar esse instrumento.
Alguns anos se passaram e, influenciado pelo meu irmão, comecei a tocar violão, porém, a paixão pela bateria não havia passado, e quando eu tinha 13 anos arrumei uma bateria emprestada e comecei a fazer barulho. Tive, na época, algumas aulas com um amigo e logo depois ingressei numa pequena escola de música do bairro. Aos 16 anos entrei no CLAM, escola fundada e dirigida pelo Zimbo Trio, onde tive aulas com Marcelo Sampaio, Zé Eduardo, Chumbinho, Lelo Izar e com o grande Rubinho Barsotti, um baterista que teve sobre mim uma das mais marcantes influências e cuja amizade prezo e desfruto até hoje.
Foi por volta de 1983 que montei a minha primeira banda de rock com amigos da escola (Colégio Arquidiocesano de São Paulo). Posso dizer que a partir desse momento comecei a estudar mais seriamente e também a me interessar cada vez mais pela bateria, entrando em contato não só com o rock, mas também com o jazz e a música brasileira, mais especificamente o samba e a bossa nova. Terminando o ensino médio, fiquei muito em dúvida na escolha de qual caminho tomar e acabei optando por cursar a faculdade de Odontologia em vez de seguir a música profissionalmente.
Durante o tempo que cursava a faculdade não abandonei a música. Continuei estudando bateria e piano no CLAM. Em 1986 apareceu a oportunidade de tocar e gravar o disco da volta dos Secos & Molhados.
Depois de concluir o curso de bateria no CLAM tive aulas com o mestre Dinho Gonçalves, a quem devo muito pelo grande incentivo, paciência e seus grandes ensinamentos. Após dois anos de estudo com o Dinho, ingressei no seu grupo de percussão “Woyeke”, do qual faziam parte duas baterias e vários instrumentos de percussão. Fizemos algumas apresentações destacando-se a do concurso de bateria que o músico e educador Flávio Pimenta organizou na época no Sesc Pompéia. Em seguida fiz aulas com Zé Eduardo Nazario, estudando com ele solos de caixa, independência jazzística e música brasileira. Nessa época, estava acabando a faculdade de Odontologia e a música tornava-se uma coisa cada vez mais forte para mim. No último ano da faculdade conheci o grande baixista Willie Verdaguer, o arranjador e um dos grandes responsáveis pelo sucesso dos Secos & Molhados na sua primeira formação. Nessa oportunidade, Willie me convidou para fazer parte da banda de um musical que estreou em 1990 no Sesc Pompéia, chamado “Pulomelu a Criação do Mundo”, que era composto por trinta atores e mais de oito músicos. Esse foi um dos meus primeiros grandes desafios na música, pois a peça era dificílima, cheia de compassos compostos, compassos mistos e não dava para tirar o olho da partitura. Após esse espetáculo, que ficou três meses em cartaz, Willie me convidou para integrar o seu grupo chamado Humauaca que culminou na gravação de um CD, dois anos mais tarde, que tinha o mesmo nome do grupo. Paralelamente a esse trabalho, comecei a tocar na noite: em bares, festas, casamentos e tudo o que aparecia, tendo também contato na prática com a MPB, o Jazz e o Samba.
No ano de 1992 fui também chamado por Willie para acompanhar o bluseiro Tony Osanah e, mais tarde, em 1993, o cantor Walter Franco. Ainda em 1992 recebi o convite de Rubinho Barsotti e Percio Sapia para lecionar no CLAM. Creio que esse fato foi uma das coisas mais importantes que aconteceram para mim, pois estar em contato com o Rubinho, Percio Sapia e toda a família CLAM foi um grande aprendizado musical e também de vida.
Nessa época ainda estudava com Zé Eduardo Nazario e em 1995 fui estudar com a grande mestra e amiga Liliam Carmona. Com ela estudei a fundo: leitura jazzística para Big Band, o método “syncopation” e muita técnica. Durante toda a fase em que fiquei lecionando no CLAM (1991 até 1996), tive a oportunidade de tocar com alguns bons grupos, artistas e músicos, como Grupo Água Marinha, Banda Farinha Seca, Orquestra Heartbreakers, Nouvelle Cuisine, Eduardo e Silvinha Araújo, Renato Consorte e Christianne Neves que contribuíram muito para a minha evolução musical, pois com todos eles pude desenvolver o lado instrumental e também o lado de “sideman”, ou seja, acompanhar artistas, desempenhando uma função secundária, tocando o que o som pede, sem muita liberdade musical. Tudo isso me colocou em contato com diversos estilos musicais como rock, funk, música latina, jazz, samba, bossa nova, maracatu, baião, enfim, os ritmos brasileiros em geral.
Depois de um ano de estudo e preparação que fiz juntamente com o meu amigo e grande batera Christiano Rocha, em janeiro de 1996, fomos para a Drummers Collective em Nova York, concluindo o “Advanced Certificate Program”. Retornando ao Brasil fiz exame de aplicação para estudar na “Berklee College of Music”, em Boston, e ganhei a bolsa para cursar a faculdade a partir de 1997. De volta ao Brasil em 1998 continuei a minha vida profissional por aqui, reencontrando meu amigo de infância Marcinho Eiras, trabalhando com ele na noite e também em projetos instrumentais que culminaram na gravação de um CD no qual gravei duas faixas. Nesse mesmo ano, a cantora Silvinha Araújo estava montando uma banda para acompanhá-la num novo trabalho e o diretor musical era Celso Pixinga. Por indicação da cantora Cida Souza e de Dudu Araújo, filho de Eduardo Araújo, Pixinga foi me ver tocar e veio o convite para integrar a nova banda de Silvinha Araújo. No mesmo ano, Pixinga me convidou para integrar o seu trio instrumental do qual participo até hoje. Com esse trabalho Pixinga gravou um CD intitulado “Quase Acústico”, quando tive a oportunidade de gravar todas as faixas com outras duas grandes musicistas Lea Freire e Lis de Carvalho. Desde então, tenho tocado com o Pixinga, participando de gravações de CDs e DVD’s, workshops e vídeo-aulas.
Paralelamente à atividade instrumental, também atuo como “side man”. Em 1999, fiz parte da banda de Sula Miranda; em julho desse mesmo ano fiz alguns shows substituindo Marquinhos Costa na banda de Roberta Miranda e, na metade de 2000, substituí o grande batera e meu amigo Otávio de Moraes na turnê “Quatro Estações”, de Sandy e Junior, tendo o prazer de ter tocado ao lado de grandes músicos como Fred Tangari, Ubaldo Versolato, Edson Guideti, Marcelo Elias e Robinho. No final de 2000, ingressei na banda da cantora Luciana Mello, filha de Jair Rodrigues, que lançou seu primeiro trabalho pela gravadora Trama. Em 2001, participei da banda do cantor Edvaldo Santana que faz um trabalho muito interessante de fusão de ritmos brasileiros, funk e rock, tendo gravado com ele um CD, coletânea de artistas paulistas.
Ainda em 2001, fui convidado pelo empresário Décio Carraro para fazer parte de uma banda de gafieira chamada “Turma da Gafieira”, que tocou todas as quartas feiras no Bar Avenida, apresentando um repertório de samba, chorinho, baião, xote, maxixe entre outros ritmos brasileiros. Além das quartas feiras fixas no Bar Avenida, também tocava todas as quintas, sextas e sábados no restaurante Infinito, no Hotel Meliá de São Paulo, ao lado de grandes músicos da noite como Silvio Gomes no contra baixo, Maestro Juarez Santana no piano e teclado Regina Tatit e Magoo nos vocais. Ainda na área instrumental toco com Celso Pixinga, Christianne Neves e fui convidado pelo Mozart Mello para fazer parte de seu trio instrumental. Também tenho atuado frequentemente com as bandas Havana Brasil, Guga Stroeter & Heartbreakers. Neste mesmo ano, comecei a gravar o meu primeiro trabalho solo com a produção musical de Celso Pixinga, contando com a participação de mais 20 músicos, entre eles, Pixinga, Mozart Mello, Daniel Alcântara, Vitor Alcântara, Ubaldo Versolato, Christianne Neves, Marcelo Elias, Jarbas Barbosa, Edson Guidette, Fred Tangari, Silvio Mazzuca, Lis de Carvalho, Pedro Cunha, Max Robert, Maria Diniz, Christiano Rocha, Sizão Machado, Faiska, Marcio Forte, Cláudio Machado e Lea Freire.
Na parte didática, fui convidado em 2001 para exercer a Coordenação do departamento de bateria da Escola de Música e Tecnologia onde também leciono aulas personais e de especialização até hoje. No início de 2002 também assumi a coordenação do departamento de bateria da Escola Ritmus de Música a convite de Mozart Mello e Celso Pixinga.
Fico feliz por conseguir viver de música num país onde o incentivo para as artes de um modo geral é muito pequeno. Creio que aqui no Brasil, quanto mais versátil for o músico mais ele vai trabalhar e assim conseguir viver da música. No final, isso acaba sendo bom, pois com cada estilo musical aprende-se alguma coisa que se incorpora ao conhecimento anterior, processo que faz parte do crescimento, em direção à maturidade musical.
Gostaria de agradecer o seu interesse em conhecer um pouco da minha vida como profissional da música. Desejo muita força, muito estudo, saúde, dinheiro e que você alcance todos os seus sonhos musicais. Sinceramente, obrigado!

Liverpool 2016.

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